Personalidades do Vôlei

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THÉO

08.06.10

Dos 11 aos 15 anos, o brasiliense Théo era capoeirista. Mas ficou tão alto que teve de abandonar as rodas na academia (atualmente mede 2,02m). Pena? Pelo contrário! O vôlei agradece e hoje é um dos principais atacantes do Brasil.

Depois de dar as primeiras cortadas por cima de uma trave de futebol, que fazia o "papel" de rede de vôlei, ele resolveu jogar em colégios e clubes do Distrito Federal. Um ano depois, durante o Campeonato Brasileiro de Seleções, Théo chamou a atenção do técnico Percy Oncken, que o chamou para realizar testes como levantador na seleção infanto-juvenil... mas acabou sendo cortado! 

Em 2004, Théo era o terceiro levantador da Ulbra e recebeu a seguinte ordem do técnico Marcos Pacheco no treino: "Olha, você nunca mais vai levantar uma bola aqui nesse time. Agora você vai atacar".

Após ouvir a curiosa revelação de Théo, o VôleiBrasil entrou em contato com Pacheco: "Eu estava bebendo água no ginásio e, de repente, ouvi um estrondo! Como eu estava de costas, perguntei quem 'pregou a bola' no chão, atacando com 'ignorância'. Foi quando decidi transformá-lo em atacante. O Théo é uma pessoa sensacional e um profissional muito disciplinado. É também um dos melhores bloqueadores com quem já trabalhei. Depois da Ulbra, nos reencontramos na Cimed e conquistamos o título da Superliga 08/09".

No ano passado, o oposto do Santory Sundirds (Japão) foi campeão logo em sua primeira competição oficial com a camisa verde e amarela: a Copa dos Campeões.

VB - Fale um pouco da sua trajetória na seleção brasileira...

"Nas categorias de base, eu participei de peneiras e sempre fui cortado. Em 2008, fiz parte da seleção de novos que disputou dois jogos contra a Argentina. No ano passado, não fui inscrito para Liga Mundial, mas treinei como convidado na fase de preparação. Eu tive chance de entrar nos amistosos contra os Estados Unidos, em Uberlândia e Montes Claros. E depois veio a Copa dos Campeões: fui convocado e campeão".

VB - Em agosto você completará 27 anos. Como se sente após a positiva temporada 2009/10, quando disputou jogos pela seleção adulta e estreou no Campeonato Japonês?

"A experiência foi muito boa no Japão, onde cada equipe pode ter no máximo um estrangeiro. Ou seja, temos de fazer sempre o máximo e até a parte de outros jogadores que não estão cumprindo a deles. Isso te ajuda a crescer, dá mais responsabilidade. Você aprende a se virar nos momentos difíceis. Se você não estiver bem, o time vai mal também. No Japão, o jogador estrangeiro é a referência, é quem dá ritmo ao time. Os japoneses não têm tanta força física quanto os brasileiros, mas são bem habilidosos e rápidos".

VB - Como é o seu relacionamento com os companheiros de equipe? A adaptação ao país foi difícil? 

"Os jogadores japoneses são bem receptivos, animados e gostam de brincar. Mas não têm uma vida social igual a nossa, não se reúnem muito fora de quadra. A adaptação ao país foi tranquila. Não tive problemas com a comida. Eles fazem pratos típicos. Aos pouquinhos, você vai se ambientando e tudo fica mais fácil. Com relação ao idioma, durante o jogo é tudo muito rápido. A gente consegue se virar com um gesto ou grito (risos)".

VB - Qual é a diferença entre o torcedor japonês e o brasileiro?

"São bem parecidos. Apóiam e fazem bastante barulho no ginásio. Gostam dos jogadores, torcem muito. Mas a torcida brasileira ainda é mais animada do que a deles. Eles são muito organizados até na hora de comemorar uma vitória e torcer".

VB - É verdade que você tentou outros esportes antes do vôlei?

"Comecei jogando futebol, depois fui capoeirista dos 11 aos 15 anos. Eu treinava na academia e nas rodas de capoeira. Cresci demais e ficou difícil de fazer os movimentos".

VB - Quando deu os primeiros passos no vôlei?

"Eu gostava de ver o pessoal jogando, mas ficava brincando na trave de futebol. Porque eu não alcançava nem a altura da rede. Em março de 1999, no Colégio Centro Educacional 1, em Planaltina (DF), me chamaram para jogar uma partida contra um time de Sobradinho e fui convidado para jogar em um time de lá, devido à boa estatura".

VB - Nas categorias de base você fazia a função de levantador?

"Em 2000, joguei o Campeonato Brasileiro de Seleções de oposto. O Percy Oncken estava observando e me convidou para treinar como levantador na seleção infanto-juvenil. Fui cortado na seletiva para o Mundial, em Belo Horizonte, e voltei em 2001 para dar sequência ao trabalho. Mas sempre fui cortado de todas as seleções de base. Em 2003, morei fora de Brasília pela primeira vez, para jogar em um clube de Uberlândia. Aos 21 anos, consegui um teste na Ulbra, ainda como levantador. No ano seguinte, joguei pela primeira vez a Superliga".

VB - Como e quando você virou oposto?

"Eu era o terceiro levantador da Ulbra, em 2004, quando o técnico Marcos Pacheco falou no treino: 'Ataca umas bolinhas aí para não ficar parado enquanto os outros dois levantadores estão trabalhando!' Quando acabou o treino, ele falou: 'Olha, você nunca mais vai levantar uma bola aqui nesse time. Agora você vai atacar'. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Ainda bem que tinha o Pacheco lá naquele ano, porque eu não estava com muito ânimo mais para treinar como levantador. O cara tem de nascer, pelo menos, com um pouquinho de talento para ser levantador. Não é pegar qualquer um garoto e colocá-lo lá... não aprende".

Equipe VôleiBrasil

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