Personalidades do Vôlei

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MAURÍCIO LIMA

22.07.10

Ele fez parte da seleção de ouro, é um ícone da história do vôlei nacional com 101 títulos conquistados e defendeu a seleção brasileira durante 18 anos. No currículo, nada mais nada menos que um bicampeonato olímpico (Barcelona, 92 e Atenas, 04), heptacampeão sul americano e tetracampeão da Liga Mundial entre muitos outros títulos!

Estamos falando, é claro, do ex-levantador Maurício Lima que está de volta às quadras como Diretor de Voleibol e Relações Públicas do Medley/Campinas, a mais nova equipe do cenário do voleibol brasileiro, formada há dois meses. Com 42 anos e natural de Campinas, o ídolo nacional montou a equipe que estréia nos dias 22, 23 e 24, pelos Jogos Regionais em Americana-SP.

Em entrevista exclusiva ao VôleiBrasil, Maurício conta como foi formada a equipe do Medley/Campinas, a escolha do técnico Cacá Bizzochi, a experiência de ter o meio-de-rede André Heller, além do o encontro, nos jogos treino, com amigo e atual técnico da equipe Sesi-SP, Giovane Gávio.

No fim da entrevista, o ídolo também falou um pouquinho de sua carreira. Confira!


VB - Como surgiu a ideia de montar a equipe do Medley/Campinas e ser Diretor de voleibol e relações públicas? E por que Campinas?

"Campinas é uma cidade importante no cenário esportivo e, desde que parei de jogar, pensava em montar uma equipe de vôlei. Neste meio tempo, surgiu a Medley, uma empresa idônea, que veio disposta a investir, A cidade obviamente tinha que ser Campinas porque a sede da Medley é aqui. Eles tinham interesse em fortalecer o nome da empresa não só em Campinas e na região, mas também no Brasil, e o esporte foi a grande escolha deles. Acho que meu currículo contou muito para que eu fizesse parte da equipe."

VB - Qual foi o ponto de partida e como foi baseada a formação da equipe?

"Fizemos uma equipe que tivesse vontade de crescer no cenário nacional e a escolha também não foi só na parte técnica, mas investimos principalmente em pessoas de caráter e com vontade de crescer a cada dia."

VB - Para você, qual o maior desafio na formação de uma equipe nova como o Medley/Campinas?

"O maior desafio não é só com a vitória propriamente dita, mas usar o esporte como uma ferramenta de inclusão social."

VB - Qual a importância de ter um jogador experiente, na equipe, como o meio-de-rede André Heller que tem vários títulos no currículo, como por exemplo a medalha de ouro nas olimpíadas de Atenas/2004 e títulos na Liga Mundial?

"O André no time é de suma importância, pois com certeza estará passando experiência em todos os momentos da equipe, principalmente nos mais críticos. Ele poderá ser o ponto de equilibrio dos jogadores. E, além disso, o André é um cara bacana, de bom caráter, alto astral, ele só vem a somar para a nossa equipe."

VB - Como estão sendo os acertos finais na preparação da equipe, que fará sua estreia nos dias 22, 23 e 24 de julho, pelos Jogos Regionais, em Americana?

"A expectativa é muito grande por ser o primeiro campeonato e estarmos representando a região. Espero que o resultado seja positivo!"

 

VB - Como é a sua relação com os atletas? Qual a lição que você mais passa de acordo com sua vivência nas quadras?

"Minha relação com eles é ótima e de muito respeito. Tento mostrar que um atleta ou qualquer outra pessoa tem que ter sempre em sua vida caráter acima de tudo, humildade, confiança e vontade de vencer. Precisamos sempre respeitar as pessoas, os limites e plantarmos o bem para que lá na frente possamos colher o melhor."

VB - Podemos dizer que Campinas é o berço de esportistas famosos como você. Você acredita que isso motiva novos talentos?

"Campinas com certeza formou talentos no esporte de todas as áreas, seja no futebol, no vôlei ou em qualquer outro. Não sei se diretamente ela inspire novos talentos, mas deveria sem dúvida ter uma política esportiva que apoiasse mais os atletas, porque os talentos existem não só aqui, mas também em toda a região."

VB - Como está sendo a recepção dos amantes do vôlei da região de Campinas?

"Pudemos constatar em dois jogos amistosos que fizemos no Taquaral que o povo de Campinas estava carente de modalidades esportivas. Eles lotaram o ginásio, torceram, vibraram com o time. Só o fato de se ter algo diferente para fazer em nossa cidade já é um ponto muito favorável para nós."

VB - Conte-nos um pouco sobre a escolha do técnico Cacá Bizzochi e como é a relação de vocês.

"Já tive a oportunidade de trabalhar como Cacá em duas ocasiões diferente. A primeira foi nas Olimpíadas de Barcelona quando o Cacá era o auxiliar técnico do Zé Roberto. Lá, tivemos momentos incríveis porque além do trabalho árduo que fizemos, ainda conquistamos a inédita medalha de ouro. Na segunda oportunidade, tive um projeto de vôlei em Curitiba e no momento em que fechei contrato lá, pensei no Cacá para me ajudar porque sempre acreditei no trabalho dele, em sua didática e capacidade. Com a Medley, não poderia ser diferente. Assim que o projeto saiu do papel, pensei no Cacá para ser nosso técnico."

VB - Como foi encontrar, nos jogos treino com o Sesi-SP, o Giovane Gávio, seu amigo e companheiro de quadra e técnico da equipe?

"Giovane é um grande amigo! Somos amigos além das quadras e também de longas datas. Torço sem dúvida por mais este sucesso dele e, que ele conquiste seus sonhos e objetivos nesta nova função. O jogo serviu para avaliarmos como estão nossos atletas."

VB - Quais os planos para o futuro do Medley/Campinas? E quantos às expectativas para a Superliga?

"Os planos são ambiciosos. Representamos uma empresa muito importante e de grande credibilidade. Pretendemos nos sair bem em cenário nacional e que possamos surpreender positivamente a todos não só no esporte como no social também."

 

Falando um pouco de você...

VB - Há diferença do Maurício jogador para o Maurício diretor?

"Não. Continuo sempre a mesma pessoa. Sou um cara exigente em tudo o que faço, sou responsável e quero sempre qualidade. Procuro passar para a molecada a importância do esporte em nossas vidas e como ele pode mudar a nossa vida, para melhor, sempre. Talvez, a única diferença que possa existir é que agora tenho cobrar e não mais ser cobrado."

VB - Como você vê essa evolução do vôlei brasileiro, que só aumentou da sua época pra cá?

"O vôlei mudou muito, ficou mais dinâmico, mais rápido, melhor para assistir. Foram mudanças que só acrescentaram coisas boas ao esporte."

VB - Qual o seu maior objetivo para repetir o sucesso que você teve em quadra?

"O meu objetivo é claro e um só: ser campeão. Sei que isso será muito difícil neste primeiro momento porque somos uma equipe nova. Mas, como sei que nada acontece por acaso, trabalharemos arduamente para alçarmos altos vôos."

VB - Sobre sua carreira, como é acordar todos os dias sabendo que você foi é considerado um ícone da história do vôlei nacional com101 títulos conquistados?

"Caramba, esta marca nem eu sabia! Mas é sempre uma honra! Tenho orgulho de tudo o que fiz e conquistei. Sou um cara que reconheço tudo o que o vôlei trouxe para a minha vida. São momentos que jamais poderão tirar da minha memória e do meu coração. O carinho das pessoas por mim continua sendo algo explícito até hoje e, a admiração das pessoas por mim me emociona. Recebo só palavras de carinho e de agradecimento pelas alegrias que consegui proporcionar às pessoas. Me sinto simplesmente realizado!"

VB - Por último, a tradicional pergunta: "torcer é mais difícil do que jogar?

"Muito mais difícil! O vôlei corre nas minhas veias! Não consigo ficar parado e quando assisto a uma partida na arquibancada, fico lendo o jogo, canto as jogadas, imaginando o que eu faria se ainda estivesse em quadra... A adrenalina é enorme, mas estar lá dentro é a melhor coisa do mundo!!!"

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