
22.05.10
O termo "intercâmbio" está na boca de qualquer jovem interessado em ter uma experiência enriquecedora, acadêmica, científica, cultural e humana. Então, por que não atrelá-lo ao esporte? O site Vôlei Brasil foi à Praia de Ipanema, em frente à Rua Garcia D'Avila, e observou na prática que essa aliança é muito bem-vinda.
No local, funciona o Projeto Atletas Inteligentes, elaborado por Jackie Silva e aprovado pelo Ministério do Esporte. No dia 21 de maio, ela deu uma aula especial de vôlei de praia a 13 estudantes da California University of Pennsylvania Athletics. As garotas, de 17 a 21 anos, jogam vôlei de quadra nos Estados Unidos.
"Meu intuito é receber estudantes que jogam voleibol e ser convidada a levar os que participam do Atletas Inteligentes. É uma troca muito interessante, pois a mentalidade das norte-americanas é bem diferente da nossa. É uma boa influência, já que no Brasil dificilmente um jovem consegue estudar e jogar vôlei ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, quando começa a desenvolver um talento, quer logo abandonar os estudos", explica a primeira brasileira a ganhar um ouro olímpico (Atlanta-96), ao lado de Sandra Pires.
'ESTOU CURTINDO MUITO O RIO'
Uma das meninas é Brandy, de 19 anos, que aproveita cada momento na cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. "As pessoas no Brasil são muito atenciosas, amigáveis. Eu estou curtindo bastante minhas férias aqui no Rio, um lugar muito bonito. Na Universidade da Pensilvânia, jogamos voleibol de quadra, mas aqui na areia é um pouco mais difícil".
A dedicação de Jackie Silva na inclusão de jovens no esporte lhe rendeu em 2009 o título de campeã da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) pelo Esporte. O reconhecimento serviu como um ânimo a mais para que ela consiga alçar voos cada vez mais altos.
"Dá muita pena quando um jogador de talento se abdica dos estudos com facilidade. É uma relação desequilibrada quando um jogador sabe fazer uma coisa, mas não sabe fazer outra. Ele não pode 'comer voleibol, falar voleibol, dormir voleibol...' o mundo é muito mais amplo! As oportunidades são bem maiores. Se ele estudar e ganhar essa amplitude de conhecimentos, acho que até o voleibol dele vai melhorar".
MINEIRA GANHOU BOLSA DE ESTUDOS
Uma das 13 estudantes é brasileira: a mineira Ana Luiza de Lara Almeida, um exemplo de que esporte e estudo podem perfeitamente caminhar juntos.
"Comecei a jogar voleibol no Mackenzie, de Belo Horizonte, aos 11 anos. Através do esporte, ganhei bolsa para estudar na Universidade da Pensilvânia, onde é bom jogar mas as meninas não têm tanta técnica. Elas estão amando o Rio, até porque todas amam praia. Nenhuma delas conhecia o Brasil. Vão levar uma imagem muito bacana para os Estados Unidos".
Jackie vivenciou a cultura e a mentalidade nos EUA. Durante a Olimpíada de Los Angeles, em 84, quando foi considerada a melhor levantadora do torneio, assistiu a algumas partidas de vôlei de praia e decidiu mudar de ares. A identificação foi tão grande que Jackie se tornou a melhor jogadora de praia nos Estados Unidos.
"Quando os norte-americanos falam sobre mim, estão atentos. Existe uma recordação de todo um trabalho que eu fiz por lá. A própria Olimpíada foi lá dentro. Isso me ajuda muito nesse sentido".
O DOM DE ENSINAR
Jackie acrescenta que sempre admirou muito a forma que os norte-americanos desenvolvem o esporte na Terra do Tio Sam. "Logo que eu me mudei para os Estados Unidos, quis muito aprender. E desde que voltei ao Brasil sempre tento cultivar, influenciar e valorizar esse lado deles, que é essencial".
A ex-jogadora é um exemplo de que o grande professor inspira, e não apenas conta, explica e demonstra. E o dom era público e notório já na época de Rainha da Praia, quando atuava ao lado de jovens revelações.
"Quando eu tinha 16 anos, criei meu primeiro projeto de escolinha, que se chamava 'Alta na Ponta'. Desde jovem gostei de ensinar. Na praia, sempre joguei com atletas novas. Com a própria Sandra, que foi minha parceira na Olimpíada, ajudei a desenvolver o seu trabalho como jogadora. Fiz isso também com Maria Clara, Juliana e Talita, jogadora que eu trouxe de Maceió".
Jackie diz que, por esse motivo, não foi tão doloroso se aposentar. "Ensinar sempre me fez muito bem. Tanto que a minha transição, quando parei de jogar, não foi tão sofrida. Porque sempre tentei colocar ali o meu lado treinadora".
ATLETAS DE JACKIE NA SELEÇÃO
Segundo ela, a possibilidade de usar a Lei do Incentivo tornou concreto o projeto, que conta com jovens entre 12 e 20 anos. Três deles estão entre os primeiros 22 atletas pré-convocados para as seleções brasileiras Sub-19 e Sub-21 de vôlei de praia.
"Felipe Terra, Evandro Gonçalves e Felipe Hernandes saíram do projeto para a seleção. É muito importante, porque é um resultado autêntico de que nosso trabalho tem dado certo".
Confira a página de voleibol da California University of Pennsylvania Athletics clicando aqui.
Equipe Vôlei Brasil
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